Publicado em 07-06-2014 às 12:24 | por Bruna Rasmussen

Livros encapados com pele humana: fatos e curiosidades

Encapar livros com pele humana foi uma prática razoavelmente comum nos séculos 16 e 17, sendo que muitos desses livros existem até hoje.

Livro encadernado com pele humana

Nesta semana, houve uma confirmação horripilante, mas esperada: cientistas de Harvard confirmaram que um livro do século 19 presente na biblioteca da universidade foi mesmo encadernado com pele humana. Trata-se de “Des destinées de l’ame” (Sobre o destino da alma, em tradução livre), do francês Arsène Houssaye.

Mas “Des destinées” não é o primeiro caso desse tipo de livro. Conhecida como encadernação antropodérmica ou encapamento antropodérmico, a prática possui uma certa tradição e conta com casos muito curiosos, muitas vezes conduzidos por pessoas, no mínimo, excêntricas:

  • A encadernação feita com pele humana acontecia desde o fim do século 16 e começo do século 17. Porém, há registros mais antigos feitos com essa técnica, como é o caso de uma Bíblia francesa do século 13;
  • A França produziu outros livros assustadores da mesma forma, como cópias da Constituição Francesa encadernadas com a pele de opositores da República;
  • Na biblioteca de Harvard é possível encontrar mais exemplos de livros feitos com pele humana: um volume de poesia romana, outro de filosofia francesa (Mon dieu!, o quê é que se passava com a França?) e um terceiro de leis medievais do ano de 1605;
  • Um dos casos mais famosos de encapamento antropodérmico fica no Boston Athenaeum, uma das bibliotecas independentes mais antigas dos Estados Unidos. Trata-se das memórias de James Allen, ladrão que assaltava viajantes e que exigiu que sua autobiografia fosse encadernada com a própria pele;

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  • A excentricidade de James Allen não para na produção do livro: Allen pediu para que o livro encapado com sua pele fosse ofertado a John A. Fanno, uma vítima que resistiu bravamente a um dos assaltos de Allen, conquistando a admiração do ladrão;
  • A biblioteca da Universidade de Harvard também conta com um volume falso de encadernação antropodérmica: um tratado sobre leis espanholas que, na última página, exibe um aviso revelando a identidade do dono da pele usada na encadernação. Porém, análises feitas recentemente revelaram que a capa foi feita com pele de ovelha;
  • Livros jurídicos também adotaram a moda: há casos legais encapados com a pele de assassinos condenados em processos judiciais, como foi o caso de John Horwood e William Corder, ambos da Inglaterra;
  • O mesmo já aconteceu com pelo menos um livro erótico: há uma edição de Justine et Juliette, do polêmico escritor e filósofo francês Marquês de Sade, produzido com a pele de seios femininos; e
  • Obviamente, livros de anatomia humana também não ignoraram esse capricho editorial. Acredita-se que o renomado anatomista Joseph Leidy foi o responsável por alguns dos volumes encapados com pele humana presentes no Museu Mütter, da Faculdade de Medicina da Filadélfia.

Fontes: BMLA, BBC, NY Times e  Liberty Voice








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